12 fevereiro 2018

Manhã de Carnaval...desenhando.

Ontem fui passear e desenhar com minha namorada pelo Elevado João Goulart (o Minhocão) e Higienópolis.
No Elevado, desenhei este edifício antigo, colado à via. Chamou-me à atenção as sombras projetadas pelas pequenas sacadas, seu tom único de cinza que traz unidade à imagem, e até as pichações que conferem um ar de abandono e decadência.
Fiz o desenho utilizando primeiro lápis grafite para capturar as massas gerais do edificio, além de posicionar as sacadas e ajustar a perspectiva. Depois passei para a caneta nanquim, a fim de 'adiantar' o processo, na medida em que torna-se mais fácil definir as arestas e detalhes com linhas. Depois voltei ao lápis escurecendo tons e delineando sombras. A borracha foi utilizada para refinar algumas arestas, criar pontos de luz (vide roupas penduradas nas sacadas), e modelar nuvens.
Essa técnica de construção foi utilizada por mim pela primeira vez em um desenho que fiz a partir da cobertura do Shopping Light, em 2016. Acho que é uma ótima parceria essa entre lápis e nanquim.

Após um almoço 'esquecível' em uma padaria de Santa Cecília, caminhamos em direção a um edifício que chama a atenção de todos os que sobem a rua Aureliano Coutinho, que na esquina com a Marques de Itú torna-se rua Sabará. Trata-se do Edifício Domus, de 1958, projetado pelo casal de arquitetos italianos Maria Bardelli e Ermanno Siffredi, os mesmos que projetaram a famosa Galeria do Rock, no centro da cidade.
É muito interessante a forma curva dos terraços que, como disse o autor do livro São Paulo nas Alturas, Raul Juste Lores, "lembram a proa de um navio, decorados por pequenos furos que evocam um negativo de filme". Acho particularmente interessante também a forma refinada dos terraços à esquerda. Chama atenção ademais, o contraste das curvas com a trama reticular do imenso bloco de apartamentos do edifício Parque Higienópolis.
Neste desenho utilizei caneta Bic preta e markers. Foi dificil tomar a decisão de colorir o desenho que mostrava-se muito elegante somente em traços. Mas eu e minha namorada decidimos que valia a pena arriscar.

01 fevereiro 2018

Jacobs I House - FLLW Sketching Tour XIV (01.08.2017)

Ainda no mesmo dia, peguei o carro e corri para ver mais algumas obras do arquiteto. A que eu estava mais interessado era essa: Herbert and Katherine Jacobs First House, considerada a primeira Usonian House construída pelo arquiteto.
A casa térrea, de 140 m2, parece pequena e reservada vista da rua. Da calçada nota-se apenas as paredes de madeira corrida encimadas por caixilhos, o tijolo à vista de algumas empenas de alvenaria,  os grandes beirais e a garagem discreta, porém audaciosa (está inteira em balanço). Mal se vê a porta de entrada. Dito isso, e entretanto, a casa projetada por Wright e construída em 1937 fora concebida para se abrir para os fundos do lote, com implantação em forma de "L".

Como mencionado acima, esse projeto foi o precursor do sistema de casas 'populares' idealizado pelo arquiteto durante a grande Depressão dos anos 30, conhecido como Usonian. A ideia básica era criar  sistemas construtivos simples, inovativos e com uso de pré-fabricados, minimizando os custos com mão de obra no canteiro, e que atendessem às expectativas de famílias de classe média norte-americanas. Herbert Jacobs solicitou ao arquiteto construir sua casa por $5,000 (atualmente cerca de 90,000 USD ou R$ 315.000,00), o que fora atendido exceto por uma pequena defasagem de 10% ;)
Wright utilizou paredes de sanduíche de plywood (madeira compensada) com 5,7 cm, uma fundação 'radier' (ou seja, de laje maciça de concreto) e até tijolos 'desviados' da construção da fábrica da Johnson Wax, de Racine, segundo 'reza a lenda'. A parte da inventividade deu-se pelo sistema de aquecimento desenvolvido para a casa, com trama de tubos alojados em um colchão de areia, sob a laje de fundação.
Enquanto tirava algumas fotos, uma simpática senhora deu-me a dica para bisbilhotar a casa pela rua lateral, de onde fiz um rapidíssimo sketch enquanto era atacado por mosquitos.
Sketches feitos no local - Jacobs House I (à esquerda), e Taliesin.

Visite este site para mais informações.
Segui ainda, para uma última visita a uma obra de Wright nesse entusiasmante dia: a Walter Rudin House, de 1959 (abaixo).


Monona Terrace Convention Center - FLLW Sketching Tour XIII (01.08.2017)

Um post sem sketches para variar, apenas pois gostaria de compartilhar um local bacana que visitei durante minha viagem pelo estado de Wisconsin nos Estados Unidos.
Após minha visita ao Capitólio, na cidade de Madison, fui conhecer o Monona Terrace, que é um grandioso centro cívico, para convenções e eventos. Segundo o Wikipedia, o local abriga mais de 600 eventos todos os anos, incluindo inúmeras atividades culturais e sociais. 
A obra durou 3 anos e custou 67 milhões de dólares. Neste link do site oficial, você encontra um panorama da história desse projeto grandioso e polêmico, que nasceu na prancheta do arquiteto Frank Lloyd Wright em 1938 e só foi concretizado na década de 1990, depois de muitas modificações, aprovações e cancelamentos.
Eu acessei o complexo pelo belveder de cobertura, que se debruça sobre o lago Monona. O dia era bem agradável, foi gostoso passar alguns instantes observando o lago e tirando fotos dos canteiros de flores.

Depois, procurei a gift shop exclusiva do arquiteto, mas que infelizmente já encontrava-se fechada. Restou-me conhecer uma exposição do fotógrafo Pedro E. Guerrero, que acompanhou Wright durante toda a sua carreira reproduzindo fotos fantásticas de sua obra e relativa intimidade.